sábado, 13 de setembro de 2014

Budô não é exatamente a "arte da guerra"

Eu particularmente não gosto do termo "arte marcial", mas aparentemente é a tradução mais próxima de nosso idioma que conseguiram encontrar para o termo japonês "budô" (武道).

Minha razão é simplesmente a ênfase na palavra "guerra".

De certo, o termo budô surgiu no campo de batalha, na necessidade da especialização do confronto corpo-a-corpo, estudando técnicas combate para finalizar um conflito da forma mais eficiente possível.

Mas se a "arte marcial" é a arte da guerra, ela não faria sentido fora do contexto da guerra. Ou faria?

Reduzir "bu" ao conceito de "guerra" é um infeliz exemplo da distorção que ocorre nas traduções. Aliás, como os orientais mais versados podem confirmar, em japonês, existem outros termos que traduzem melhor a palavra guerra.

Digamos que existe um soldado, que vai à guerra e mata vários inimigos porque é para isso que ele está lá.
E existe um outro soldado, que vai à guerra e mata alguns inimigos porque quer sobreviver, ou proteger seus companheiros.

O budô se encaixa no perfil do segundo soldado.

O ideograma "bu", derivado direto da cultura chinesa, além de "confronto", carrega o significado implícito de "proteção" e "guarda". Assim, o caminho do bu, estende seu significado a "prática de guerra para combate e proteção" (ou mais ou menos isso).

O budoka não é simplesmente um guerreiro. Ele é um guardião, com princípios e objetivos direcionados para o fim do conflito e a restauração da paz. Combater um adversário de forma eficiente é simplesmente um meio para isso.

Pratique budô e não simplesmente uma "arte marcial".

Bonus:
"Eu luto porque quero sobreviver, é só isso." - Mars Hugh/FullMetal Alchemist
"Cada inimigo que eu mato, parece que me deixa mais longe de casa" - Capt.Miller/Saving Private Ryan
"Si vis pacem, para bellum" - Algum romano/Algum livro

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